Pular para o conteúdo
Oração São Jorge

Salve Jorge: São Jorge e Ogum

Por Equipe Oração São Jorge. Atualizado em

Medalhão em vitral com o rosto de São Jorge, auréola dourada e lança com bandeira da cruz vermelha

“Salve Jorge!” é a saudação a São Jorge usada por católicos e por praticantes de religiões afro-brasileiras. No Rio de Janeiro, a Umbanda associa São Jorge ao orixá Ogum; na Bahia, o Candomblé o associa a Oxóssi. Esta página explica essa relação com respeito às duas tradições.

Nesta página
  1. Por que São Jorge é associado a Ogum
  2. Saudação a São Jorge e a Ogum
  3. Cores, dia e símbolos
  4. Oferendas, banhos e rituais
  5. “Filho de São Jorge” e “ano de São Jorge”
  6. Seu Jorge e outros nomes

Por que São Jorge é associado a Ogum

No Brasil colonial, os africanos escravizados eram proibidos de cultuar seus orixás. Muitos passaram a associá-los a santos católicos com atributos parecidos, processo que os estudiosos chamam de sincretismo. Ogum, orixá do ferro, da guerra e dos caminhos, encontrou em São Jorge, o santo cavaleiro de armadura e lança, a sua imagem.

A associação varia por região:

RegiãoSão Jorge é associado aOgum é associado a
Rio de Janeiro (Umbanda)OgumSão Jorge
Bahia (Candomblé)OxóssiSanto Antônio

Hoje, muitos terreiros rejeitam o sincretismo e cultuam os orixás sem ligação com santos; outros o mantêm como parte da sua história.

Saudação a São Jorge e a Ogum

  • Salve Jorge! é a saudação popular ao santo, usada por todos.
  • Ogunhê! (ou “Ogum iê!”) é a saudação ao orixá Ogum na Umbanda e no Candomblé.
  • Saravá é saudação da Umbanda que significa “salve”.

Cores, dia e símbolos

  • Cores: na Umbanda carioca, Ogum é ligado ao vermelho e branco (e, em algumas casas, ao verde); no Candomblé, ao azul-escuro. Na devoção católica, as cores de São Jorge são o vermelho do manto e o branco do cavalo.
  • Dia: 23 de abril, festa de São Jorge, é também dia de Ogum na Umbanda do Rio. Na semana, Ogum é saudado às terças-feiras.
  • Símbolos: espada, lança, ferro. A planta espada-de-são-jorge (Dracaena trifasciata) é usada como planta de proteção em muitas casas.

Oferendas, banhos e rituais

Na Umbanda, há oferendas e banhos de ervas dedicados a Ogum, que variam de casa para casa e devem ser orientados pelo dirigente do terreiro. Este site é de devoção católica e não ensina rituais de outras religiões. Na tradição católica, a “oferta” a São Jorge é a oração, a vela acesa com respeito e a caridade com quem precisa. Veja como pedir uma graça a São Jorge.

“Filho de São Jorge” e “ano de São Jorge”

Na Umbanda, “filho de Ogum” é quem tem Ogum como orixá de cabeça, e muitos dizem “filho de São Jorge”. Em alguns anos, terreiros anunciam que o ano será “regido por Ogum”, como aconteceu em 2019; por isso se falou tanto em “2019, ano de São Jorge”. É uma previsão de cada casa, não da Igreja.

Seu Jorge e outros nomes

“Seu Jorge” e “santo Jorge” são formas carinhosas de chamar o santo. Expressões como “São Jorge, por favor, me empresta o dragão” e “me empresta o cartão” são brincadeiras populares das redes sociais, sem sentido religioso.

Perguntas frequentes

São Jorge é Ogum?

No Rio de Janeiro, a Umbanda associa São Jorge a Ogum. Na Bahia, o Candomblé associa São Jorge a Oxóssi e Ogum a Santo Antônio. Para a Igreja Católica, São Jorge é um santo mártir, sem relação com orixás.

Qual a saudação de São Jorge?

“Salve Jorge!” é a saudação popular. Para Ogum, a saudação é “Ogunhê!”.

Qual a cor de São Jorge?

Na devoção católica, vermelho (o manto e a cruz) e branco (o cavalo). Na Umbanda, Ogum é ligado ao vermelho e branco ou ao verde; no Candomblé, ao azul-escuro.

São Jorge é santo de macumba?

Não. São Jorge é santo católico. O sincretismo com Ogum faz parte da história das religiões afro-brasileiras, que merecem respeito.

O que é a novela Salve Jorge?

É uma novela da TV Globo exibida em 2012 e 2013, que popularizou a saudação e a devoção a São Jorge.

Fontes

  1. Roger Bastide, As religiões africanas no Brasil. São Paulo: Pioneira, 1971.
  2. Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.